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Diagnóstico das Desordens Clínicas Relacionadas ao Glúten

Uma vida com enxaquecas, cólicas, azia, dermatites, alergias e tantos outros sintomas pode ter sua solução aqui.

Diversos pacientes me questionam a razão pela qual sempre peço a eles exames antes de orientar a retirada do glúten de suas vidas. Com esse artigo viso não só retirar a dúvida dos meus pacientes, mas também, deixar claro para todos meus colegas de profissão meu posicionamento quanto ao assunto, como médico e celíaco que sou.

 

A saga diagnóstica de um celíaco é muito longa, a minha levou mais de 28 anos... A média em países mais estruturados que o nosso chega a ser maior de 10 anos, quando pensamos sobre o diagnóstico da doença celíaca. Se pensarmos sobre a sensibilidade ao glúten não celíaca pode levar uma vida inteira.

 

O diagnóstico da Alergia ao Trigo (AT), da sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC), e da doença celíaca (DC) são temas constantemente abordados em todos locais que ministro minhas aulas e também no consultório com meus pacientes.

 

ALERGIA AO TRIGO (AT)

As intolerâncias, são diferentes das sensibilidades, que por sua vez são diferentes da alergia. Quando buscamos o diagnóstico de alergias investigamos imunoglobulinas (IG) tipo E, que nesse caso será IGE específico para trigo, esses anticorpos podem ser avaliados na pele ou no sangue. Contudo nenhum teste diagnóstico é perfeito, sendo assim, a correta avaliação e correlação com história clínica do paciente são sempre necessárias.

 

SENSIBILIDADE AO GLÚTEN NÃO CELÍACA (SGNC)

A sensibilidade ao glúten pode ter duas formas, a não celíaca e a celíaca. Existe muito rebuliço quando falamos desse assunto, os diversos pesquisadores da área nem encontram consenso entre si. A SGNC engloba uma série de sintomas e sinais que nem sempre estão relacionados somente ao glúten, fato que dificulta o consenso sobre o tema.

 

Alguns pacientes têm anticorpos antigliadina positivados, mas como sempre digo nenhum teste diagnóstico é perfeito, e esse não poderia ser diferente, em média 50% dos pacientes sensíveis ao glúten possuem os genes relacionados a doença celíaca. A principal razão pela qual se sugere uma série de exames para o diagnóstico da doença celíaca é que não existe um único exame que o faça com precisão, mas o diagnóstico da doença celíaca será comentado mais adiante. Outros anticorpos podem ser solicitados durante a investigação da doença celiaca, dentre esses posso citar: Anti-Endomísio e Anti-Reticulina. 

 

O diagnóstico do paciente com sensibilidade ao glúten não celíaca, como o próprio nome já diz, é um diagnóstico de exclusão, ou seja, o paciente deve ter sido submetido a tentativa diagnóstica da doença celíaca sem sucesso.

 

SENSIBILIDADE AO GLÚTEN CELÍACA (DC)

ANTICORPO ANTITRANSGLUTAMINASE:

Esse anticorpo é utilizado no diagnóstico, caso de todos anticorpos, é necessário que o paciente esteja consumindo glúten normalmente. Esse anticorpo é produzido somente quando o paciente tem lesão intestinal, ou seja, a mucosa já foi destruída e uma parte mais profunda dessa fica exposta, com isso, seu organismo produzirá anticorpos contra ela.  

 

ENDOSCOPIA COM BIÓPSIA DE DUODENO: 

É um exame que permite a visualização direta da mucosa do trato digestivo. Nesse exame o paciente é sedado e uma câmera introduzida pela boca do paciente até as porções intestinais iniciais. Ao chegar no intestino delgado, mais especificamente em sua primeira porção, o duodeno, o endoscopista deverá coletar amostras que serão analisadas pelo patologista na Escala de Marsh.

 

Esse exame atualmente é o padrão ouro para o diagnóstico, mas para ter um resultado confiável, é necessário estar consumindo glúten normalmente e o número de amostras deve ser o maior possível, idealmente 8. Como já disse diversas vezes durante o texto nenhum exame é perfeito, inclusive a endoscopia, visto que diversos celíacos podem não apresentar lesões intestinais.

 

GENÉTICO (HLA DQ2 E DQ8):

Avaliam a predisposição genética para desenvolver DC, mas sozinhos não dizem se a pessoa é celíaca ou não. Mesmo o teste genético não é perfeito, em média 5% de celíacos não os possui. Normalmente utilizamos esse teste quando o paciente já fez toda triagem diagnóstica sem conclusão e permanece com sintomas mesmo a despeito da retirada do glúten. 

 

CONCLUSÕES:

Vejo diversos profissionais repudiando a propagação da dieta isenta de glúten pela simples ideia de ser mais saudável. Eu prefiro pensar que essa "moda" tem seu lado positivo, ela trouxe a tona um assunto antes pouco conhecido.

A doença celíaca pode ser completamente silenciosa por décadas, ou seja, antes de retirar o glúten de sua vida seria prudente afastar seu diagnóstico. Como na doença celiaca os pacientes com SGNC deveriam ser testados antes da retirada do glúten de suas dietas.

A vida de um celiaco é repleta de limitações, para o celiaco o tratamento não se limita a retirar o glúten de sua vida, isso nada mais é que o primeiro passo de uma longa caminhada. 

Autor(es):
Dr. Juliano Pimentel

 

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